O que significa CET (Custo Efetivo Total) e por que ele é tão importante?

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Ao contratar qualquer forma de crédito — como um empréstimo pessoal, financiamento, cartão de crédito ou crédito consignado — é comum que o consumidor olhe apenas para a taxa de juros.

No entanto, essa taxa representa apenas uma parte do custo real.

Para entender o valor total que será pago, é essencial considerar o CET, sigla para Custo Efetivo Total.

Esse indicador mostra o quanto você realmente pagará pelo crédito, incluindo não apenas os juros, mas também todas as taxas, encargos, seguros e tributos envolvidos na operação.

O que é o CET?

O CET é um percentual anual que expressa o custo total de uma operação de crédito. Ele considera:

  • Taxa de juros;
  • Taxas administrativas e de abertura de crédito;
  • Seguros obrigatórios (como seguro de vida ou seguro habitacional);
  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras);
  • Outros encargos e serviços agregados obrigatórios.

Com isso, o CET oferece uma visão realista do custo total de um crédito, independentemente da instituição financeira ou da modalidade contratada.

Por que o CET é tão importante?

O CET é importante porque permite que o consumidor faça uma comparação justa entre diferentes ofertas de crédito. Às vezes, um banco pode oferecer uma taxa de juros mais baixa, mas incluir taxas e seguros altos, fazendo com que o custo final seja maior. Com o CET, é possível identificar essas diferenças e tomar uma decisão mais informada e vantajosa.

Obrigatoriedade do CET

Desde 2008, o Banco Central do Brasil tornou obrigatória a divulgação do CET por parte das instituições financeiras em todas as propostas de crédito. Isso significa que bancos, financeiras e cooperativas devem informar o CET em:

  • Propostas de crédito pessoal;
  • Financiamentos de veículos e imóveis;
  • Cartões de crédito (em determinadas situações);
  • Crédito consignado.

Essa exigência garante maior transparência para o consumidor e evita práticas abusivas por parte das instituições financeiras.

Como o CET é calculado?

O cálculo do CET envolve a Taxa Interna de Retorno (TIR), que considera todos os fluxos financeiros da operação: o valor que o cliente recebe, os valores pagos em cada parcela e todos os encargos. O resultado é uma taxa percentual anual que mostra o verdadeiro custo do crédito.

Por exemplo, se um consumidor contrata um empréstimo de R$10.000 com taxa de juros de 2% ao mês, mas paga R$1.000 de taxa de abertura e R$300 em seguros obrigatórios, o custo final será maior que os 2% mensais divulgados. Ao considerar todas essas variáveis, o CET pode chegar a 3% ou mais, o que muda completamente a análise da proposta.

Diferença entre CET e taxa de juros

A taxa de juros é apenas o valor cobrado sobre o capital emprestado. Já o CET é muito mais abrangente. Ele inclui:

  • Juros;
  • Taxas de serviço e administrativas;
  • Tarifas de abertura de crédito;
  • Seguros e encargos obrigatórios;
  • Tributos;
  • Outros custos embutidos na operação.

Ou seja, a taxa de juros pode parecer baixa, mas o CET mostra o quanto será efetivamente pago.

Como interpretar o CET na prática?

Imagine duas propostas de empréstimo:

  • Banco A: juros de 1,8% ao mês, sem taxa de abertura, com CET de 23% ao ano.
  • Banco B: juros de 1,5% ao mês, com taxa de abertura de R$500, com CET de 26% ao ano.

Apesar de o Banco B oferecer juros menores, o CET é maior, o que indica que o custo total da operação será mais elevado. Por isso, é essencial usar o CET como critério principal de comparação entre propostas.

CET em financiamentos e cartões de crédito

No caso dos financiamentos, o CET é ainda mais relevante, já que esses contratos costumam envolver valores altos e prazos longos.

Um pequeno aumento no CET pode representar uma diferença de milhares de reais ao final do contrato.

Em cartões de crédito, o CET também pode aparecer quando se trata de parcelamentos de fatura ou compras com juros.

Nesses casos, a taxa de juros anunciada é apenas parte do custo. O CET inclui tarifas adicionais, como encargos por atraso e serviços agregados ao cartão.

Ferramentas para calcular e comparar o CET

Atualmente, muitos sites e aplicativos de finanças oferecem calculadoras de CET.

Basta inserir os valores do empréstimo, taxas cobradas, prazos e encargos para obter o custo efetivo total da operação. Alguns exemplos de ferramentas úteis:

  • Simuladores do Banco Central;
  • Comparadores de crédito de fintechs e bancos digitais;
  • Aplicativos de controle financeiro pessoal, como Guiabolso e Organizze.

Como negociar um CET mais baixo?

Se você deseja reduzir o custo do crédito, considere:

  • Negociar a isenção de tarifas (de abertura ou manutenção);
  • Questionar a obrigatoriedade de seguros adicionais;
  • Buscar taxas promocionais em bancos digitais e cooperativas;
  • Transferir dívidas para instituições com CET mais baixo.

Além disso, manter um bom histórico de crédito aumenta suas chances de obter propostas mais vantajosas.

CET e o planejamento financeiro

Conhecer o CET é essencial para evitar o superendividamento. Ao incluir o custo total do crédito no seu planejamento financeiro, você consegue:

  • Evitar dívidas acima da sua capacidade de pagamento;
  • Controlar melhor seu orçamento mensal;
  • Comparar opções com mais clareza e segurança;
  • Economizar recursos no longo prazo.

CET para empresas e microempreendedores

Empreendedores e MEIs também devem ficar atentos ao CET ao buscar linhas de crédito para capital de giro ou investimento.

Muitos optam por empréstimos rápidos, sem considerar as taxas embutidas, e acabam comprometendo o fluxo de caixa.

Ao analisar o CET de diferentes instituições — como bancos, cooperativas ou fintechs — é possível escolher a linha de crédito que melhor se adapta às necessidades do negócio, com custos compatíveis com a capacidade de pagamento da empresa.

Dica extra: consulte o CET mesmo em renegociações

Mesmo quando o consumidor renegocia uma dívida, é importante solicitar o CET da nova proposta.

Algumas renegociações podem parecer vantajosas por oferecer parcelas menores, mas escondem custos maiores no longo prazo.

Avaliar o CET evita cair nessa armadilha e permite reestruturar as finanças com mais segurança.

Conclusão

O Custo Efetivo Total (CET) é um dos indicadores mais importantes na contratação de crédito.

Ele oferece uma visão ampla, clara e transparente sobre o real valor que será pago pelo consumidor ao longo do tempo.

Antes de fechar qualquer contrato, exija a divulgação do CET e utilize-o como ferramenta principal de comparação entre propostas.

Com essa prática, você evita surpresas desagradáveis e faz escolhas financeiras mais conscientes e econômicas.

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